sábado, 19 de janeiro de 2013

Politicamente Otários


Odeio o politicamente correto. É uma corrente extremamente fascista que busca censurar a linguagem, mesmo que as atitudes se mantenham iguais.

Como disse Marcio Schaier, jornalista que aparece no documentário M de Verdade, produzido pelo Gracinha, comandado por Alexandre Sayad, “não há problema nenhum em que você tenha a rua do shopping cheia de putas, desde que você não use a palavra putas”. O politicamente correto é aquele cara que é o responsável pela criação da sociedade do processo, da falsa igualdade.

Atualmente, por causa do politicamente correto, um negro não pode mais ser um ladrão. Uma mulher não pode mais ser dona de casa. Um nordestino não pode mais ser burro. Um homossexual não pode mais ser uma má pessoa. O problema do politicamente correto é que, na sua carapaça, ele prega uma mudança nas atitudes, mas continua separando as pessoas por rótulos. Como sempre diz meu pai, merda é merda, estando em um papel bonito ou na privada. Traduzindo a metáfora, a condição das pessoas continua a mesma, independente das palavras que sejam usadas para descrever.

O grande problema é que as pessoas dão valor excessivo às palavras. Não que elas não carreguem conotações, sentidos ou então que não ajudem a reforçar ou atenuar preconceito, jamais diria isso. O problema é que deixar de chamar de preto e passar a chamar de afro descendente não muda a situação de preconceito em que a maioria da população negra se encontra atualmente

O politicamente correto ajuda também a aumentar a hipocrisia social. A mesma dona de casa de classe média que ignora mendigos e é completamente contra as cotas para negros me censuraria duas vezes nessa sentença, apenas. “Mendigo” e “negros” em uma mesma frase. Dona, chamar o mendigo de morador de rua não o coloca imediatamente em uma casa luxuosa.

Para finalizar, digo que o politicamente correto é o grande protetor de ego da classe média burra e alienada. Vamos usar palavras que nos deixem bem publicamente, mas vamos manter a conduta que nos mantém em cima e mantém a eles embaixo. E viva a sociedade moderna!

2 comentários:

Edson F. de Faria disse...

O tema e a abordagem são extremamente oportunos, sobretudo por oferecer espaço para discussão sobre a hipocrisia. Tema elogiavelmente corajoso nos dias de hoje, quando questionar as modas sociais é bem arriscado, já que a hipocrisia, classicamente, se acompanha da intolerância.
Um problema do politicamente correto é que ele copia a metodologia religiosa. Há milênios que os rituais religiosos repetem seus mantras, suas orações pacificadoras de ego, fazendo-nos acreditar que somos "bons" apenas porque assim o dizemos em público. Se tomarmos por base os resultados sociais e políticos, essa prática religiosa não se mostrou muito eficaz para nos transformar em seres melhores ao longo dos tempos, mas em hipócritas fantásticos, capazes de sair da missa ou do culto e reclamar dos mendigos.
Um outro problema do politicamente correto é ter lido mal Foucault. Quando Foucault afirma que as palavras e o discurso expõem, mesmo que de maneira sutil, a ideologia, ele não sugere implicitamente ao marido que flagrou a mulher o traindo no sofá da sala que venda o sofá para resolver sua relação conjugal. Sua observação é voltada ao diagnóstico, à exposição óbvia das ideologias.
Por fim, falando de diagnósticos, outro erro crasso do politicamente correto é não ter aprendido rudimentos de medicina. Se alguém tem uma pneumonia, de pouco valor favorável - e, talvez, até, bem perigoso! - seria dar apenas Novalgina para baixar a febre. Ao tratar apenas o sintoma, um médico correria risco alto de produzir um cadáver com ótima aparência.
O politicamente correto é tão perverso, que hoje em dia não é mais politicamente correto falar sobre o "politicamente correto".

Fabrício Morais disse...

"Não interessa se você é letrado ou não. O que importa é se você vive aquilo que você fala!" - ANITELLI, Fernando

Compartilho dessa mesma ideia sobre o politicamente correto. Tudo isso não passa de um discurso bonito, fantasioso e hipócrita. É muito simples trocar palavras por outras pra tentar amenizar determinadas situações.
Cito como exemplo aquele sujeito que diz não ter preconceitos conta homossexuais, que respeita a escolha deles, mas, é quase certo, que se o filho de um sujeito desse se declarasse "papai, sou gay" seria um absurdo.
Não gosto desse pseudo respeito a certas minorias. Muitos dizem não ter preconceitos. Mentirosos! Todos temos algum tipo de preconceito com qualquer coisa que seja, mas ficar com discursos moralistas negando isso pra mim é um pouco demais.